sábado, 22 de novembro de 2008

Sobre Mallu Magalhães


“O ponto alto do show (pouco aproveitado pelo público, a maioria de camisetas pretas esperando pelo Offspring) foi com "Noil", em que Mallu toca escaleta. A música, arrastada e com uma levada blues, foi a trilha sonora certeira para um final de tarde ainda claro e nublado.”

Gostaria de começar esse post falando antes dos críticos de música no Brasil, ou, aqueles que, quando tentaram, não conseguiram tocar Stairway to Heaven e desistiram de gostar de música boa. Para ser crítico de música no Brasil (ou no mundo) você precisa de duas coisas :

  1. Um péssimo gosto/formação musical
  2. Contatos
  3. Muita cara de pau

Os itens estão conectados, afinal, aqueles que fazem a péssima música que você vai ser obrigado a escutar são aqueles que vão te colocar lá em cima. Quanto mais você falar (bem) da banda dos filhos dos empresários, mais respeitado você vai ser. Use termos como "reinventores", "vanguarda", "gênios" e "salvadores" para descrever qualquer merda que eles façam com os pobres instrumentos musicais, ou o computador.

De uma hora pra outra parece que todo mundo virou "indie", acho que é mais fácil ser "indie" porque você só precisa de UMA coisa: Gostar de, ou fazer música ruim. Isso é essencial. Eu não conheço nenhuma banda de indie rock que seja digna de 5 minutos da minha vida. Uma ou outra merecem um “bacaninha”, mas a repetição e a falta de talento musical acaba com qualquer chance que se possa dar pra uma delas. O que eu ainda não entendo é por que essas bandas ainda são chamadas de alternativas. Alternativo por quê? Se toca em todas as rádios, na MTV e as comunidades do orkut têm mais de trinta mil membros?

Mas isso vai ser discutido em um outro post, hoje nós vamos falar de Mallu Magalhães.


Maria Luiza de Arruda Botelho Pereira de Magalhães é filha de alguém que conhece um produtor musical, ponto. A garota, então com 15 anos, gravou suas músicas e colocou na Internet. É uma coisa legal para se fazer aos 15 anos ao invés de cheirar cocaína nas raves da madrugada, ponto pra garota. Mas daí a compará-la com, pff, Bob Dylan?

Podem me perguntar “De onde diabos você tirou isso?”, pois é, alguns dos nossos amigos críticos já chamam o “prodígio” de filha do Bob Dylan porque supostamente a menina toca um folk rock. Agora ela é revelação, sábado tocou no festival de culto ao mau gosto chamado “planeta terra festival”, a frase no início do texto é de alguém que cobriu o evento. Passando de revelação virtual para o mundo real, agora todo mundo fala em como é talentosa, pode até ser engraçadinha, aliás eu não sei se ela é boba ou só se faz de boba, porque se apenas se fizer de boba de boba ela não tem nada. Mallu vende e vende muito, hoje, eu quero só ver daqui a 5 anos quando ninguém mais se lembrar da garota prodígio, a filha do Bob Dylan ou qualquer patifaria que usem como apelido para a garota. E cá entre nós, não é tudo isso não, não é nem metade disso.




www.youtube.com/watch

Reconhecer um prodígio não é tão difícil quando a gente realmente para pra pensar.

3 comentários:

joãodopão disse...

falem o que falem da mallu, ela é retardada sim, não ligo pra quem ela tá dando e tal, mas não consigo pensar numa revelação musical melhor que ela na música brasileira em 2008. talvez eu não esteja puxando muito pela memória, mas...

Squivo disse...

"Revelação" só serve pra virar prêmio da MTV. É mais uma jogada de marketing visando o público do momento. É isso aí, quem tem QI fala como imbecil, toca violão e faz sucesso, enquanto que os que não tem, se fodem pra conseguir no mínimo uma gravação de CD. Idolatremos a indústria da música.

Jim disse...

Quanto rancor.

E para os desavisados: Por QI ele quis dizer "Quem Indique."